sábado, 3 de dezembro de 2016

afinal, autoconhecimento vale a pena?



“Os homens viajam para se maravilharem com a altura das montanhas, com as ondas imensas do mar, com os longos cursos dos rios, com o vasto âmbito do oceano, com o movimento circular das estrelas, e passam por si mesmos sem se maravilhar”

Santo Agostinho (354-430 d.C.)
(filósofo, teólogo e bispo doutor da Igreja Católica)





“Se você conquistar o conhecimento do Eu, o significado da vida não será mais um mistério. Você compreenderá claramente o porquê e o como deste universo. Todas as coisas transcendentais serão conhecidas para você como a maçã na palma da sua mão”.
 Swami Sivananda (1887-1963)
mestre indiano de Yoga e Vedanta





Sem autoconhecimento, sem entender o funcionamento e as funções de sua máquina, o homem não pode ser livre, não pode governar a si mesmo e será para sempre um escravo.”
George Gurdjieff (1866-1949)
filósofo e místico greco-ârmênio





“O mais útil e o menos avançado de todos os conhecimentos humanos me parece ser o do homem; e ouso dizer que só a inscrição do templo de Delfos continha um preceito mais importante e mais difícil do que todos os grossos livros dos moralistas.”
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)
filósofo suíço






“Todos os homens deveriam lutar para aprender, antes de morrer, do que estão fugindo, para onde, e porquê.”
~ James Thurber (1894-1961), escritor e cartunista americano






“Olhe dentro das profundezas de sua própria alma e aprenda primeira a conhecer você mesmo, então você entenderá porque essa doença tinha que acontecer a você e talvez assim você evite ficar doente dali em diante.”
Sigmund Freud (1856-1939)
médico austríaco fundador da Psicanálise




segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Porque somos peritos em falar, não precisamos ser tão amadores em escutar



 

O Segredo do Passeador de Humanos




Você por certo já ouviu falar no ‘passeador de cães’. Com o tempo rarefeito, terceiriza-se os passeios com os queridos peludos domésticos. Mas que tal se alguém cobrasse dinheiro para dar um passeio com seu amigo ou ente da sua família? Pois esse “serviço” já existe nos EUA, em Israel, e quem sabe mais aonde. Para dar uma voltinha básica de um quilômetro e meio, um passeador norte-americano cobra por volta de R$ 23,00. 

O fato foi manchete recente na imprensa britânica, a qual destacou ainda que “outra pessoa no Reino Unido quer que o americano se mude para lá para expandir os serviços”. O próximo passo, diz o insólito empreendedor, será criar uma espécie de Uber de passeadores, uma vez que ele não está dando conta de atender a demanda e já precisou até contratar uma ‘equipe de passeadores’. 

É verdade que, graças ao espaço cibernético, ampliamos nossa ‘rede de contatos’. Multiplicaram-se assim nossas ‘personas’, à base de muitos bits e pixels. Com tantos contatos “on line”, me pergunto: por que afinal alguém precisaria contratar um ‘passeador’? É fato que todo humano carece de interações sociais. Aristóteles já admitia: um homem só, ou é um deus, ou é uma besta. Ser humano exige a condição da convivência. As ciências humanas admitem que nos fazemos humanos a partir de interações com outros humanos. Psicólogos e sociólogos há muito se debruçam sobre o modo como somos afetados pelos fenômenos da aceitação, do reconhecimento, da validação, do ajustamento... Paradoxalmente, sentimos que crescemos em “ambiente ácido”... e talvez isso até explique porque somos tão ávidos por “açúcar & afeto” (como já insinuava um antigo slogan da indústria alimentícia).

No universo televisivo e virtual, pessoas seguem fazendo barulho e exibindo “plumagens”. Parece haver uma ânsia crescente por ‘ser ouvido’, por ‘se fazer notar’. Por tantas razões, no limite, vale até entrar na fila prá fazer papel de idiota no picadeiro do circo tecnológico, desde que isso lhes renda visualizações (leia-se: atenção) em seus perfis cibernéticos... Contudo, não são só os cães que estão gradualmente perdendo a atenção de seus donos. Nossas mais básicas relações pessoais também não vão lá muito bem, desde o âmbito familiar até o ambiente pedagógico-escolar. Tais relações se alimentam de nossas posturas corporais, dos códigos ocultos em nossos olhares, do contato pele a pele, de cheiros, de toques e jeitos. Atualmente, resta a casca quase vazia da mera presença fisiológica: corpos-zumbis de presentes-ausentes. 

Alunos, filhos, amigos... todos formalmente presentes, na sala de aula ou no jantar. É o protocolo... mas em segundos, lá se foram ao longe, pelas fascinantes portas virtuais. Enquanto a atenção se dispersa, poucos restam para ouvir... e os espaços de con-vivência presencial seguem definhando. Hoje, os corpos não garantem mais presença autêntica. As interações sim, são milhares, mas cada vez mais parecidas como muitas frutas de hipermercado: inodoras... insípidas... começa a faltar-lhes o aroma e o sabor da presença intensa e honesta. 

Por isso, talvez, tal inusitada ‘profissão’: a do passeador de humanos! O segredo de tanto sucesso, segundo admite o próprio passeador citado na reportagem, está na “capacidade de ouvir a pessoa com quem está caminhando”. Note: o tão humano ato de ouvir tornando-se habilidade rara e onerosa... 

O fato aqui não é sobre caminhar, mas sobre algo além daquela escuta mecânica que termina atropelando a fala alheia (porque no fundo só ouvíamos mesmo era o barulho dos nossos próprios pensamentos). Até Deus precisa ser ouvido! Mas para isso o humano precisa calar sua própria voz, seu pensamento e sua ânsia. 

Há campanhas para se doar sangue, agasalhos, dinheiro e até livros... Proponho outra! Sejamos dadores de escuta qualificada, sagrada, desarmada e gratuita. Esse tipo de atenção nos conecta intensamente, sem “plugs”, sem “wi-fi”, sem “bluetooth” ou “apps”, sem 3G ou 4G, sem rotular e sem julgar (e sem tanto Inglês no meio do Português). 

Quer dar um belo presente a alguém? Eis a dica: Ouça-o! Silêncios viraram artigos de luxo. Porque somos peritos em falar, não precisamos ser tão amadores em escutar.

 
publicado no Jornal da Cidade (Bauru) em 28 de novembro de 2016

http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=246014

sábado, 26 de novembro de 2016

o divã e a espiritualidade

Qual a diferença entre um “bom divã de psicanalista” e um “encontro com a espiritualidade"?

by flaviosiqueira

A mente encontra respostas em um bom divã.
Mas somos mais do que a mente e as respostas mentais são insuficientes.
Posso interromper processos adoecidos, desfazer confusões e isso é ótimo, mas não é sobre isso que falo. Aquietar-se é mais do que um ritual mental.
É uma condição interior que está ligada ao jeito de olhar a vida como um todo. É como percebo Deus em mim, como vejo que sou parte do todo e que o todo faz parte de mim, que estamos vinculados e permito que essa percepção tangencie minha caminhada, molde meus valores e acalme minhas inquietudes.
É transcender a mente, sabendo de que os processos de “iluminação” não são processos conscientes, mentais, intelectuais ou sistemáticos, mas acontecem em dimensões muitas vezes incognoscíveis.
É a percepção de que somos seres fragmentados que se relacionam com o absoluto e por isso mesmo permanecem abertos para enxerga-lo aonde ele se manifesta, aonde ele está, livre de apontamentos intelectuais/doutrinários.
É o encontro consigo mesmo e a constatação de suas limitações que lhe projeta para o além, para o que não cabe em nós, ainda que esteja em nós.
Enxergar-se faz parte do processo, compreender a mente é importante, mas não creio que seja caminho suficiente para uma vida espiritual.
O que eu tenho tentado fazer é simplesmente lembrar as pessoas que o caminho começa dentro, em como me enxergo e consequentemente enxergo o próximo.
Em como enxergo o próximo e consequentemente o mundo.
Em como enxergo o mundo e consequentemente a vida.
Em como enxergo a vida e consequentemente Deus.
No mais, faço de tudo para estimular uma busca individual, pessoal e consciente.

domingo, 20 de novembro de 2016

vós sois deuses? a sabedoria e a consciência da sabedoria




As seguintes passagens bíblicas que você lerá logo mais, a exemplo de tantas outras, encerram ensinamentos tão profundos quanto poderosos (e por que não dizer 'perigosos'). 
Se todo o saber camuflado sob códigos e metáforas que há nos textos sagrados das grandes religiões do mundo fossem interpretados e compreendidos à luz da própria consciência, teríamos uma melhor noção das armas poderosas que temos em mãos. 
Mas o que fazer com tão formidáveis armas? O que acontece quando alguém inconsciente manipula uma arma? Quem serão os piores (mas não os únicos) prejudicados?
Sem a luz da consciência, não há visão clara, nem discernimento, nem compreensão objetiva da realidade; há distorção. 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Elogio da metamorfose - Edgar Morin



O trabalho acadêmico de Edgar Morin que você lerá a seguir nos remete a uma utopia, sem dúvida. Mas não me preocupo com a utopia do texto.

Afinal, desconheço algum grande homem que não tenha professado alguma utopia. Os não utópicos são causticamente realistas e geralmente descambam para pessimismo e fatalismo... por fim tornam-se débeis ou inúteis; e seus textos, ininteligíveis... 
Há que ser, ao menos capazes de tornar a vida suportável. 

Sim... talvez o texto seja um tanto quanto ingênuo ou excessivamente otimista. Mas, a esperança está sempre de braços dados com a ação proativa e opera como vacina contra a letargia, contra a passividade e tibieza das massas (sempre acéfalas e manipuláveis). 

Hoje em dia, após ler o noticiário, é muito mais fácil chegar à conclusão de que qualquer esforço é inútil. 
Mas considero o seguinte: todas as pedagogias são propostas utópicas. Nem a pedagogia tradicional escapa desta regra. Todas as pedagogias projetam contextos ideais, desenvolvimentos e resultados ideais. Tais ideais se realizam (ou não) num "lugar que não há" (ainda).

Cabe aos homens empreenderem sua energia nelas (nas pedagogias) e, só a partir disso será possível aproximar-nos de alguma utopia, ou quem sabe concretizá-las fora do 'campo do sonhos'...

No fundo, não creio que a humanidade tenha boas perspectivas pela frente. Não que não haja propostas boas de novos paradigmas, ou de antigos paradigmas reciclados. Só não creio em mudanças ao nível das massas, no plano macro... a humanidade de modo geral não escapará ilesa das consequências de seus erros.

Minha esperança reside nos detalhes, no trabalho com o micro, com o indivíduo, com a pessoa, com o singular, com o momento, nas iniciativas que unem teoria à prática pedagógica... 
O professor real não é "aquele que ganha salário para dar aula"... O professor é aquele que ganha vida quando dá aulas! De bônus, recebe salário.

Todo professor-educador se alimenta da utopia todos os dias, desde o seu café da manhã... A utopia é seu paõzinho-francês com café de cada dia... 

Para quê ainda serve um educador hoje? para transmitir conteúdos? ou para deixar as mentes de seus alunos prenhes de utopias, de mundos ideais? 

O professor é um funcionário burocrático reprodutor/entregador de conteúdos culturais formatados, 'macdonnaldizados', ou ele é "semeador de utopias" em mentes férteis?

Até marxistas e existencialistas precisam se alimentar da utopia e beber na fonte dos ideais e das metafísicas. O materialista que nega isso, desconhece sua própria filosofia e ideologia. Ele ignora, mesmo sem notar, o próprio fundamento e a lógica da 'utopia' que defende.

Acho que detalhes podem fazer a diferença, não "para salvar a humanidade". Essa humanidade que aí está, inquilina que se acha dona, não merece sobrevida. Ela já se condenou a si mesma. A natureza por si só vai fulminá-la a seu tempo, pelos seus delitos ou pecados. 

Acho que os tais "princípios da esperança" funcionam como funcionaram há 3 mil anos, quando alguém contou, numa tenda escaldante no deserto, a história de um pequeno Davi que enfrentou e destruiu um monstruoso Golias. Ao contrário de todas as expectativas, o aparentemente fraco venceu o forte.

Você acredita que Davi possa vencer Golias?  Essa é questão fundamental . Essa é a escolha que temos que fazer, antes de mais nada. Tudo é uma questão de escolha. Sempre foi. Se um fraco com fé vence um forte, então porque não temos alguma chance?



Elogio da metamorfose para salvar a humanidade 



“A verdadeira esperança sabe que não tem certeza. É a esperança não no melhor dos mundos, mas em um mundo melhor. A origem está diante de nós, disse Heidegger. A metamorfose seria efetivamente uma nova origem”, escreve o sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, em artigo publicado no jornal francês Le Monde, 9-01-2010. 

tradução: Cepat.



Segue o artigo.

Quando um sistema é incapaz de tratar os seus problemas vitais, se degrada ou se desintegra ou então é capaz de suscitar um meta-sistema capaz de lidar com seus problemas: ele se metamorfoseia. O sistema Terra é incapaz de se organizar para resolver seus problemas críticos: perigos nucleares que se agravam com a expansão e, talvez, a privatização das armas atômicas; degradação da biosfera; economia mundial sem verdadeira regulação; retorno da fome; conflitos étnico-político-religiosos que tendem a se desenvolver em guerras de civilização.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Progresso ou Delírio?

Resta saber de que lado ficaremos: 

como parte do problema ou parte da solução


"É preciso crescer!" Você provavelmente já ouviu essa frase. Ela ilustra a visão de mundo na qual nascemos e agora vivemos. Tal paradigma nos foi introjetado culturalmente e, para muitos, tornou-se tão ‘natural’ quanto o ar que respiram. Nesta visão, a solução dos problemas sociais (desemprego, miséria, violência etc) exige dos diversos setores, “crescimento econômico e desenvolvimento”. Quem discordaria desse binômio? 


O desenvolvimentismo é o totem sagrado de nosso tempo. Desafiá-lo é grave pecado, blasfêmia, heresia. A ideologia nos conclama a produzir e também a consumir mais. Então, surge um problema: até a capacidade de consumo das pessoas tem seu limite. Que fazer?

A solução nefanda chegou ainda na primeira metade do século 20, quando alguns iluminados conceberam o espantoso conceito da "obsolescência programada” (ou planejada) que salvaria a economia de um novo colapso: reduz-se propositadamente a vida útil de um produto para, assim, aumentar o consumo de versões mais recentes. Isto é: o próprio fabricante planeja deliberadamente o “envelhecimento” daquilo que produz. Após o prazo estipulado, o produto (geralmente ainda seminovo) simplesmente se quebra ou deteriora, mesmo que se utilize dele com todo o zelo. Isso se aplica a praticamente tudo: de suas meias de nylon às lâmpadas de led, de impressoras domésticas a peças de automóvel, de celulares inteligentes a liquidificadores, de computadores a colchões... é a cultura do descartável. 

sábado, 12 de novembro de 2016

A Paz sem Esforço: o poder da quietude - Papaji



Fique quieto, não pense, não faça esforço algum. Para estar aprisionado é necessário algum esforço, mas não para ser livre. A Paz está além do pensamento e do esforço. 
Não pense e não faça nenhum esforço, porque isso apenas obscurecerá Aquilo, mas não o revelará. É por isso que permanecer em silêncio é a chave do oceano de amor e paz.
Essa quietude é a não mente; esse não-pensamento é a liberdade. Identifique-se com este Nada, esse Silêncio, mas tome cuidado para não fazer disso uma experiência, pois aí seria a mente aplicando-lhe um truque com a armadilha da dualidade.

Papaji (H.W.L. Poonja- 1913-1997)



quinta-feira, 10 de novembro de 2016

a projeção de nossas sombras



"Não existe como criar consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, não importa o quão absurdo seja, para evitar encarar a própria alma. Não nos tornamos iluminados apenas imaginando figuras de luz, mas criando consciência da escuridão. Porém, esse procedimento é desagradável, portanto, não popular."
Carl Gustav Jung (1875 a 1961)
-psiquiatra e psicanalista suíço, fundador da Escola Analítica-